quinta-feira, 5 de julho de 2012

Psicopatogias, superdotação, diagnósticos prévios e problemas futuros: Qual a relação?

Muitos gostam de fazer relações entre genialidade e psicopatologias (popularmente falando, num sentido de loucura). Mas, haveria algum motivo que justificasse tal relação quando o assunto é Psicologia Infantil?
Inicialmente, analisaremos algumas visões sobre genialidade e loucura. Alguns defendem a ideia de que o aparente excesso de informações gera uma possível confusão mental, ocasionando em problemas psiquiátricos. Neste pensamento torna-se comum a frase "Conhecimento em excesso gera loucura". Analisando de uma forma mais científica notamos que não é bem isso que acontece. Outros já preferem dizer que um dos preços do vasto e profundo conhecimento sobre algo é um desgaste nas relações emocionais, um sobrecarrego psicológico podendo provocar distúrbios psíquicos, entre os problemas, a tão demida depressão.
Admitindo a tese acima, notamos que numa grande quantidade de casos de superdotação, o superdotado sofre com problemas emocionais, cognitivos, etc. O Autismo e a Hiperatividade são exemplos de problemas que infelizmente ainda hoje são confundidos para diagnóstico de superdotação. A real incompreensão de habilidades gera este tipo de problema. Aquele problema que tantos argumentam dos autistas de ficarem "no mundo da lua", não se centrarem em nada é algo ruim para o convívio com uma sociedade que prega um contato mais próximo. Porém, não esqueçamos que a condição de uma criança simular mundos mentais é a demonstração de uma criatividade pavorosa.
Outro grupo de dotados de altas habilidades é marcado pela não expressão dos dons. Enquanto os superdotados espetaculosos desejam mostrar a todo custo seus potenciais, existe um conjunto de indivíduos que prefere se retrair do convívio geral, quer que o outro perceba o grande pensador que existe por trás de uma criança retraída. Logo uma família desajustada pode afirmar que o filho é anti-social. Este rótulo previamente exposto é altamente prejudicial para o bom desenvolvimento mental do indivíduo posteriormente. O sobrecarrego de potenciais e a incompreensão dos mais próximos é motivo para o nascimento de síndromes psíquicas que querendo ou não poderão prejudicar o superdotado na fase adulta.
No grupo acima podemos observar que algumas crianças se abrem muito facilmente com qualquer um que lhe passe a mínima confiança possível. Outros já buscam além da confiança algo que o ouvinte carregue. Exemplo: um superdotado intelectual, fechado, que raramente conversa pode buscar no locutor características como: habilidades para algo, boa conversa, etc. Praticamente todos os superdotados tem uma característica muito marcante que é a capacidade extrema de observação e por isso acabam por carregar sentimentos muito enfraquecidos, chateamentos com facilidade, relações que se rompem sem a mínima dificuldade e outros fatos que desencadeias problemas de socialização tão comuns nas clínicas de psicologia infantil atualmente.
E é deste contraste grupal no meio dos superdotados que vem a aparente dificuldade em lidar com crianças que apresentam altas habilidades. É preciso ter a percepção que aquela criança que atrapalha a aula frequentemente, que não consegue se centrar em algo pode ser muitas vezes um talento intelectual ou artístico imenso. É preciso bem analisar cada caso e não cometer preconceitos ou avaliações prévias. Raramente um psicólogo chegará para uma mãe para dizer: seu filho é superdotado. E é por isso que antes de qualquer classificação no que se diz respeito a psique de cada um é muito importante avaliar diversos fatores.
A mágica da Psicologia Infantil está em compreender os dramas de cada criança, encontrar as raízes das perturbações, achar o porquê de um problema. É importante ter um olhar clínico para desbravar a mente humana, um universo próprio de cada ser, constituido de grandes mistérios e questionamentos cuja resolução pouca gente sabe onde encontrar.

Romes Sousa 

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