terça-feira, 23 de julho de 2013

Análise dos Projetos de Superdotação Artística 01: visão da criança

 ANÁLISE DOS PROJETOS DE SUPERDOTAÇÃO ARTÍSTICA

Cantores perfeitos, belíssimos, que agitam corações, mas crianças. Até que ponto as crianças procuram a arte por livre e espontânea vontade? Será que não são "familiarmente induzidas" a isso? E como lidam com eventuais frustrações?

PROJETO DE SUPERDOTAÇÃO ARTÍSTICA: VISÃO DA CRIANÇA 
 
Nas redes de televisão brasileiras, estamos nos deparando cada vez mais com crianças fazendo arte e inclusive com programas invariavelmente destinados a exploração do talento infantil. Tais concursos têm despertado o formidável interesse de diversas crianças do Brasil inteiro. O interessante a se observar é que, mesmo involuntariamente, o projeto mais comum da superdotação artística exibida (aquela em que o indivíduo se apresenta na TV ou se expõe, com sucesso através da internet), ou não (aquela que faz arte para si ou sua família, sem sucesso ou conhecimento exterior), está cravado nos sentimentos de inveja e competição.
Analisemos: o projeto de superdotação é aquilo que move, que gera o despertar efetivo do talento do superdotado. Se perguntarmos a qualquer neófito numa escola de artes (o mesmo vale ao esporte) porque ele está ali, o que quer estudando esta ou aquela arte, ele provavelmente dirá que deseja ser um grande artista e o motivo disso, o que move este interesse, na grande maioria das vezes é o fato de a criança admirar outro cantor (daremos o exemplo da música para facilitar a compreensão)  sendo que cantar é uma forma de querer se equiparar ao admirado. Daí vem a involuntária, mas cruel inveja, ou seja, na maioria das vezes, os artistas mirins querem ser valorizados como um artista adulto que admiram, quer estar próximo, dividir palco, quer ser valorizado. 
O estilo do artista admirado na formação do projeto de superdotação artística de uma criança será aquele que estará fundamentando nas obras iniciais do superdotado. Isso muitas vezes causa a eventual "imitação" do admirado pelo admirador. Não é que o pequenino queira copiar seu cantor predileto, mas sim que faz isso por não estar totalmente com suas asas criativas abertas, ou seja, é uma forma que encontra de se mostrar, de mostrar sua arte.
Com o passar do tempo, contando com o consequente desenvolvimento pessoal da criança na arte específica que se destinou a praticar, veremos um enriquecimento do perfil artístico, ou seja, normalmente, o indivíduo tende a passar a produzir sua própria arte, que, embora ainda sofra influências do artista gerador do projeto de superdotação, conseguirá mais facilmente ter uma identidade própria, perdendo, inclusive, em algumas ocasiões, a admiração que tinha por seu antigo admirado.
Desta forma, vemos que o mundo moderno, mesmo entre a simples relação artista/criança, está fortemente marcado pela competitividade, ou seja, pela necessidade de se mostrar, de se sentir bem visto. É natural que o ser humano não consiga se submeter por muito tempo as regalias de um estranho e este sentimento, a inveja, costuma se iniciar logo no início do processo de admiração do fã pelo admirado, como já explicamos. O importante a se observar são os resultados que a admiração e esta "inveja" trará a vida da criança em seu desenvolvimento psicológico e emocional.
Na próxima postagem desta série, analisaremos o papel do pai no projeto de superdotação artística.

Romes

segunda-feira, 18 de março de 2013

Lixão dos talentos - Superdotação e Reformas Educacionais


Muito se escreve e muito se lê a cerca do desastre que está a educação pública brasileira. O objetivo desta postagem não é desvirtuar esta ideia, mas sim raciocinar a partir do seguinte dado: estimasse que cerca de 2 milhões de brasileirinhos sejam superdotados. Uma enormidade de crianças estudam em escola pública. Uma enormidade de escolas públicas não oferecem amparo adequado a qualquer desenvolvimento intelectual da criança. E aí, onde fica a superdotação?

Por onde caminha a educação dos superdotados?

Muitas crianças e jovens têm tendência, devido a fatores externos (biológicos) a desenvolverem a superdotação. Porém, de nada adianta a genética se não tivermos a prática. Apenas em contos de fadas vemos crianças que ontem estavam abaixo da espectativa para sua idade se tornarem, do dia para a noite,"pequenos gênios". 
O que estamos vendo é um genocídio da superdotação brasileira. O número de dois milhões não compraz uma realidade. Muitos jovens estão sem ter chances de estudar, de conhecer o mundo e por isso, enterrando seus talentos. A superdotação, antes de tudo é formada a partir de uma percepção, de um estímulo, que, futuramente, gerará o projeto de superdotação. Não estamos dando base para o desenvolvimento dos alto-habilidosos no Brasil.
E a que se deve esta façanha? Aos ciclos viciosos tão presentes em nossa sociedade. Geralmente, a escola nada ensina, tendo em vista que a maioria dos professores de escola pública não se importam com o que seus tutelados realmente aprendem, a família não educa, visto que são pais que também careceram de bagagem anterior, a criança, ao chegar na adolescência, muitas vezes se perde neste nosso mundanismo exarcebado e sujo e lá se foi um possível superdotado.
Precisamos repensar a educação que damos aos alto-habilidosos e as crianças em geral. Dizem que o futuro da nação são os jovens, então qual é o futuro que estamos dando a nação?! Dizem que a educação é a solução dos problemas nacionais, então qual é o amparo que damos aos problemas?! Atualmente, muito se fiz, mas pouco se faz. É preciso fazer mais e dizer menos.
A habilidade nata em muitas crianças se transforma em desastres sociais. A genética da superdotação não determina inteligência intelectual puramente desta forma, mas determina sim, percepção maior sobre os fatos, raciocínio e criatividade mais apurada, entre outros. Se não educarmos a percepção, o raciocínio e a criatividade, poderão estes muito facilmente acabarem por levar a sociedade ao caos. O jovem trabalhará a superdotação com as ferramentas que estiver em mãos. Estamos dando promiscuidade. A criatividade se desenvolve na promiscuidade. Estamos dando lixo. O raciocínio se desenvolve no lixo. Já desvirtuamos diversos superdotados ao longo da história. Será que estamos a procurar um novo Hitler?

Abordagem da Teoria das Reformas Educacionais

Infelizmente, as tão defendidas reformas educacionais não podem se proceder de uma hora para a outra. Fugindo do discurso quase que comunentemente real de que quem tem dinheiro tem medo de criar cidadãos de verdade, notamos que o Brasil por muito tempo investiu em produtos pouco lucrativos a nossa nação. Saímos de uma etapa de exploração de cana de açúcar, passamos pelo ouro, pelo café, mas nunca os investimentos foram destinados a educação qualitária.
Todos os governantes se vangloriam em lotar bibliotecas em escolas públicas. Dinheiro em vão. Os livros que lá estão raramente são usados. Não ensinamos nossos alunos a aprender. Ensinamos nossos alunos a vomitar. Vomitar fórmulas, vomitar conceitos. Não despertamos a razão em nossos alunos, despertamos a rebelião de quem se vê preso a um sistema e, embora tente dele fugir, está amarrado por ferrenhas correntes. Estas correntes são a ignorância. E como rompemos as correntes? Educação. Ensinamentos verdadeiros. Despertar de curiosidade. Apenas isso pode solucionar a educação no Brasil.
Antes de cobrarmos dos professores, devemos doutrinar os pais. Eles são os verdadeiros educadores. Eles são os responsáveis pela socialização primária. Se se educa em casa, a percepção se modifica e até mesmo em um barraco em ruínas, o aprender é possível, pois lá existe vontade.
Está na hora de transformar os discursos em prática. Já é tempo de olharmos a educação com olhos de pais. Pais verdadeiramente brasileiros, que esperam ver no amanhã filhos grandiosos que os orgulhem. O Brasil não é lixo. Nossa educação não é lixo. Deixemos as mesmisses de lado. Vivamos o novo!

Romes

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Sensação de superioridade nos superdotados: como combater?

Um dos eventuais problemas quando se fala em superdotados já formados e com projeto de superdotação definidos, é a sensação de superioridade que parece, a partir de então, cercar a criança. Observemos que, ao estudar os projetos de superdotação, vimos que este surge a partir do momento em que a criança ganha consciência das altas habilidades que possui. Desta forma, em geral, o desenvolvimento do projeto de superdotação se relaciona quase que totalmente com a criança tomar consciência de sua diferença social, ver que tem algo de especial e, logo concluir que é superior.
O interessante em tudo isso é que o sentimento de superioridade é algo que, em geral e mesmo inconsciente, todos os seres humanos almejam. Mesmo que não queiramos admitir, a sociedade nos força a ser melhor do que o outro e nós acabamos guardando isso em nosso espaço de inconsciência, ou, para outros, deixando realmente exteriorizar o seu desejo de ser superior e se mostrar assim. Podemos bem observar o comportamento de ocultação da superioridade naqueles que se dizem religiosos e ultra-caridosos. Observamos que a exigência do mundo moderno requer elogios e o ultra-caridoso gosta, quer mostrar a alguém (mesmo que seja à Deus) a sua caridade, a sua bondade. Ou seja, no fim, quer se mostrar moralmente superior aos outros. O que temos efetivamente que tentar observar é como evitar a propagação desastrosa do sentimento de superioridade na vida das pessoas. Como evitar as más impressões e como não deixar que a sensação de "ser maior" domine a vida da criança superdotada.
Algo bom que devemos sempre buscar é o amparo dos pais. Não cabe aos pais fazer mil e um elogios ao filho superdotado na tentativa de engrandecê-lo. Para o eficiente desempenho da atividade alto-habilidosa é de extrema importância que a criança entenda o seu papel na sociedade e em que as suas capacidades poderão auxiliar sua comunidade. Assim sendo, admitamos que o inverso deste processo é fazer o superdotado se sentir superior em sua comunidade. É óbvio que ele será superior na sua área, mas não deve se esquecer que o conhecimento é sempre relativo. Sempre alguém, em perfeitas condições, irá conhecer algo melhor que você, mesmo que este algo seja a sua família, ou seu próprio corpo, ou qualquer outra coisa, sem levar em conta a importância desta. Assim sendo, é bom que a família se conscientize em oferecer os suprimentos necessários ao desenvolvimento da alta habilidade. Estes suprimentos são compostos por elementos abstratos (apoio, respeito, companheirismo, amor) e materiais (livros, cursos, etc). Aumentar o ego da criança só servirá para que, futuramente, ao se deparar com uma dificuldade, o "querido superdotado" seja o primeiro a cair, não aguentando a descordância de ideias e cargos coadjuvantes em seu trabalho. Daí vemos que a família pode também afetar o projeto de superdotação.
A escola, assim como o templo religioso e demais contextos convivência do superdotado são ambientes onde a educação moral da superdotação deve ser trabalhada. A todo instante, a criança deve ter estímulos que a mostre que a sua habilidade é relativa e que deve ser usada para o melhoramento da socidade. 

Analisemos agora alguns instrumentos básicos capazes de amenizar a sensação de superioridade nos superdotados:

- Trabalhos sociais: O estímulo de trabalhos humanitários e socias é um grande educador à criança alto-habilidosa. Além dos fins morais geradores da humildade que muitos defendem, estes trabalhos também servem para ampliar o ângulo de visão do superdotado, inspirando-o, no caso artístico, ou mostrando novas realidades mundanas, no caso intelectual. Lembremos sempre de que não há hora certa para se começar trabalhos sociais, aliás, o bom é começar ainda em tenra idade, claro que com a devida motivação da família.

- Atividades religiosas: É muito importante que a criança tenha desenvolvida alguma prática religiosa, seja ela qual for. Esta, além de quase sempre exibir uma noção de inferioridade do ser humano perante a divindade cultuada, serve também para aliviar tensões e apoiar o indivíduo em momentos difíceis ao longo da vida.

- Atividade esportiva em equipe: Estas atividades ajudarão a criança a entender que ela precisa do outro, por mais fantástica que seja, e que os outros precisam dela. Em algumas artes marciais, o conceito de respeito e ordem também é trabalhado. Além das presentes citações, a criança superdotada pode usar a atividade esportiva como modo de descarregar tristezas e sentimentos ruins.

- Atividade artística: As atividades artísticas são potenciais auxiliadores dos superdotados, pois, embora a superdotação do indivíduo não se volte a arte, sempre é interessante que o fazer artístico seja trabalhado na vida do indivíduo. Vemos benefícios disso na ausência de ansiedade, no desenvolvimento da emotividade, observação e análise de fatos, em alguns casos, no trabalho em equipe, e, assim como a atividade esportiva, no alívio de tensões. Observamos também a semente para o crescimento de uma das mais importantes habilidades quando se fala em superdotação: a criatividade. Criatividade esta que não se restringe só a arte, mas que se expande a observação social e até mesmo ao desenvolvimento do raciocínio lógico.

Sugiro aos pais e educadores que procurem mostrar a seus filhos que são importantes para a família, o que faz de bem e o que faz de mal. Peço que tenham cuidado ao repreender as atitudes dos superdotados, pois, como já estudado, eles tem uma alta capacidade de percepção e arquivamento de informações. Converse sobre e exemplifique ações de humildade e resignação. Coloque seu filiado dentro dos ensinamentos de que a sua alta-habilidade deve ser meio reformulador da sociedade e que deve usá-la para o seu bem e dos que o rodeiam. Não exponha seu tutelado, não o coloque em situações de constrangimento (até mesmo um elogio pode ser motivo para a geração do sentimento de constrangimento na criança), não alimente seu ego mais que o necessário e mostre a ele que não há necessidade de ficar exibindo suas capacidades, pois estas, certamente, são ou serão percebidas posteriormente pelos que o cercam.

Romes

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Nota de Informação - Postagem sobre Estímulos e sensibilidade de superdotados

A repercussão da postagem anterior sobre Estímulos e Sensibilidades nos Superdotados fez com que eu tomasse a iniciativa de transcrever uma explicação, mantendo secreto o nome da participante a fim de preservá-la. A conversa pode esclarecer algumas dúvidas que, por ventura, tenham surgido.

Pessoa X:
 
"Retirado do texto acima: "Quando a percepção diferenciada é benéfica, vale a pena incentivá-la e aí devem os pais alimentarem aqueles pensamentos no filho, discutindo, debatendo ideias, etc." Oque isso quer dizer? Por que? "Há uma percepção diferenciada MALÉFICA ? Oque pode - se entender como maléfica ? Questionamentos além daquilo a que o sistema pode explicar? " Ou foi apenas uma falha no texto acima?

Resposta:

Ah sim, X. Por favor, permita-me explicar. Realmente usei palavras erradas. Quando estou falando sobre a percepção, estou falando a respeito da ideia formulada a partir da observação de algo. Quando falo que é benéfica é que, de forma generalizada, traz uma visão diferenciada sobre algo que beneficia realmente a sociedade. Por exemplo: numa família totalmente desligada de fatores morais, uma criança, ao ver noticiar na TV um fato sobre a morte de um idoso que estava atravessando a rua e não notou a vinda de um carro, diz: "Coitado. O trânsito poderia melhorar!". Ou seja, ela teve a percepção emotivamente e moralmente (socialmente falando) boa para a questão, enquanto o restante da família poderia dizer: "Bem feito, quem manda não olhar a rua!". Entende? A criança teve um olhar diferenciado e com base moral para algo. Soube ver outro lado da história. Agora, quando você fala de percepção maléfica, esta está associada a uma percepção avaliativa de uma situação que o sistema avalia como inaceitável. Exemplo: grupos Skinheads (desculpe se escrevi errado) tendem a fazer uma percepção moral maléfica para uma simples observação de um homossexual na rua. Se a visão de um gay gerar na criança um sentimento moralmente errôneo, temos uma percepção moralmente errada ou maléfica. Desculpe, realmente foi erro do texto. Usei as palavras erradas. Muito, muito obrigado pela alerta! Obrigado também pela visita ao blog!"

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Estímulos e sensibilidade nos superdotados

Em geral, o que caracteriza uma criança com superdotação é, além das altas habilidades que possui para uma determinada área, o modo com que absorve as informações que lhes são passadas. Ou seja, normalmente, todas as crianças de uma sociedade recebem, em maior ou menor grau, os mesmos estímulos. O que muda, com relação ao superdotado, é a forma como o indivíduo percebe e organiza esses estímulos.
O processo de organização dos estímulos é, claro, muito envolvido com o que a família e a sociedade em que a criança vive pensa e comulga em suas ações. Desta forma, uma família religiosa poderá interpretar um acontecimento social de uma forma enquanto uma família desligada de religião de outra. O que acontece é que a criança recebe também um pouco dessas ideias, ou seja, tende a pensar daquela forma, mas, no caso do superdotado, em geral, ele terá sempre um pensamento diferente do generalizado pelo seu meio e é por isso que digo que a superdotação é incontextualizada, ou seja, fora do contexto de convivência típico da criança. 
Voltando ao assunto de estímulos. Em geral, o indivíduo com altas habilidades tende a olhar o mundo de outra forma, repudiando comportamentos que o seu contexto de convivência aplaude ou aclamando comportamentos que a sociedade de convivência tende a rejeitar (um exemplo clássico é o do jovem que não quer conviver com pessoas de sua idade, pois não gosta das mesmas coisas que os outros e prefere se relacionar com adultos). Aí entra o que muitos chamam de rebeldia, principalmente quando se fala no adolescente superdotado. Porém, vejamos que a rebeldia, psicologicamente analisada, é um comportamento socialmente anormal a um estímulo. Cabe a nós olharmos se este comportamento tem ou não fundamento.
O olhar diferente para o mundo, como falamos, deve ser moderado. Em muitas ocasiões, não passará de uma fase, mais em outras, persistirá por toda a vida. A moderação de percepção deve ser feita, caso seja prejudicial, inicialmente pelos pais, de forma sutíl a fim de não gerar mais revoltas e, caso não obtenha sucesso, o apoio de um psicólogo pode ser necessária.
Quando a percepção diferencida é benéfica, vale a pena incentivá-la e aí devem os pais alimentarem aqueles pensamentos no filho, discutindo, debatendo ideias, etc. Esta será uma grande oportunidade para os pais se aproximarem ainda mais dos filhos de forma sádia a fim de ganhar confiança e respeito e até mesmo para desenvolver mais a intelectualidade do filho.
Outro ponto interessante de olharmos é que o superdotado tem uma característica muito interessante quando se fala em sensibilidade. Normalmente, sempre vai sentir mais as coisas do que as outras crianças. Essa excessiva sensibilidade se dá devido ao fato de ter a criança uma curiosidade  maior de observar e analisar quase tudo o que o rodeia.. 
Com relação a excessiva sensibilidade emocional, temos que a criança superdotada tende a chorar com mais facilidade, se comover a dor do outro mais fácilmente, ficar extremamente triste com assuntos que não requeriam tanta tristeza, etc. 
Observemos um caso fictício sobre o sentimento de tristeza, que nos dará maior compreensão sobre o assunto.
Joana é uma menina muito linda de pouco mais de sete anos que adora receber elogios pelas belíssimas pinturas que faz. É muito estudiosa e sempre foi altamente talentosa para as artes. Certo dia, na aula de educação artística, cujo assunto era "gênios da arte", a professora fez a seguinte colocação:
- Da Vinci foi um dos maiores gênios da pintura de toda a história. O Brasil jamais teve e possívelmente jamais terá um artista como ele.
Inexplicávelmente, a menina chegou em casa triste e se isolou em seu quarto, não atendendo aos convites dos pais para desenhar e pintar, o que aliás, ela mais gostava de fazer. Joana não queria fazer nada e, nesta mesma noite, se pôs a chorar.
Os pais, desligados, nada perceberam.
E aí, o que motivou esta repentina tristeza em Joana? Para desvendarmos o mistério, peço que observem a frase: "O Brasil jamais teve e possívelmente jamais terá um artista como ele." Agora notem mais profundamente este trecho: "jamais terá um artista como ele". Deu para perceber? A criança simplesmente se chateou por sugerir que a professora a tenha subestimado em dizer que o país jamais teria um artista como Da Vinci. Para os superdotados, quanto mais elogios receberem melhor será. Nesta passagem vimos que, para a professora, o que fez foi tão somente uma colocação de aula, mas para Joana, a monitora subestimou suas capacidades artísticas, dizendo que não poderia ser uma ótima artista como foi Da Vinci. Isso a feriu profundamente. Da citação acima dá para tirar uma pequena dimensão quanto a dificuldade de se educar um superdotado. Apenas seis palavrinhas causaram toda uma tristeza na vida de uma criança.
O ser superdotado terá uma gama de pensamentos capazes de serem gerados para cada ação, por isso é de extrema importância que a família e a sociedade saibam como lidar com o indivíduo a fim de manter uma relação saudável com o pequeno. Mas deixemos sempre claro:  A criança, antes de ser superdotada, é uma criança que precisa de afeto como ou até mais que as outras.

Referências Bibliográficas:
- Revista Esfinge: A partir da pupila do superdotado, Estela Álvares Baraza.

Romes

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Análise comportamental de superdotados em contexto escolar: indisciplina ou falta de preparo didático?

Normalmente, a superdotação, principalmente em veículos de mídia virtual, é quase sempre relacionada a escola, quando o assunto é sites confiáveis a pesquisa sobre o tema. Pois bem. Não fiquemos aquém. Já havia dito em publicações anteriores que o intuito do Gênios Mirins não era, de forma nenhuma, o de falar somente de superdotação e educação, tendo em vista que entendíamos que a criança, mesmo superdotada, é mais do que simplesmente educação, embora esta seja, invariavelmente e sem oportunidade de discurso, a base da vida de qualquer ser humano, pois bem sabemos que educação não é somente "coisa de escola", mas hoje, devido a necessidade, é deste assunto que trataremos.
As crianças com superdotação costumam apresentar certas dificuldades escolares que, em algumas vezes, não estão ligadas a bagagem curricular do colégio, mas sim a tão falada "disciplina" que se exige nos colégios atuais. 
Ou seja, basicamente, como já vimos, existe um grupo de superdotados com comportamentos agitados e sem muito potencial de atenção. Estas crianças, em geral, costumam concluir suas tarefas em prazo breve e, segundo a linguagem de alguns "professores", passarem a perturbar o restante da sala com atitudes de inquietude. Logo, para que parem, são castigados das mais diversas formas, sendo estas desde simples broncas até expulsões violentas da classe.
Outros superdotados simplesmente rejeitam as ideias apresentadas pelos tutores. Estes são, costumeiramente, os mais fechados e, por se acharem experts em alguns assuntos, se acham no direito de subordinar os demais a sua vontade. Estas crianças, ou adolescentes, podem ainda deixar de fazer tarefas, não se atentar as lições orais, com a justificativa, relacionada a tarefa, de que já muito sabem e sobre as lições orais, que tem livros e podem ler aqueles conteúdos mais tardiamente. Isso é comum em jovens.
Analisando estes comportamentos percebemos que o papel da família e até da própria escola pode ser englobado nos dois. Descordo de certos companheiros que defendem uma mudança essencialmente escolar quando se fala no comportamento do superdotado. Precisamos levar em conta ambas as partes envolvidas. Ora, o superdotado não é nenhum "santinho" que faz bagunça simplesmente por aquilo ser "da sua natureza". Que as escolas possam se adequar as mudanças, como já vem acontecendo, mas que os pais também entendam que o superdotado não é alguém para ser idolatrado como alguns insistem em fazer. Se pelo simples fato de mal educarmos os "normais" já estamos desgastando o Brasil, imaginem se mal educarmos os superdotados?
Pais, seus filhos, embora superdotados, são crianças e adolescentes como qualquer outra criança, como qualquer outro adolescente. Não idolatre-o. Não faça ele se "sentir o cara". Isso eu digo não apenas por questões de convivência dele em seu meio, mas para o seu próprio futuro. Ensinem que, embora ele possa ser excelente em algo, em outras não será. Isso é natural e ele deve saber lidar com frustrações.
Em relação a escola, esta deve ter uma disciplina rígida, mas que não bloqueie o aluno superdotado. Exemplo: "você gosta de artes, então vai ter que esperar a aula de artes para pintar ou fazer o que quiser. Se não prestar atenção nas demais aulas, não poderá pintar aqui na escola." Isso vale para o aluno que não gosta de prestar atenção nas outras aulas, como já falamos. 
Com relação ao estudante que bagunça após terminar seus exercícios, é bom que encontre-se atividades posteriores que o interessam para que possa ele desenvolver, caso, claro, tenha concluido com perfeição sua atividade, a fim de mantê-lo ocupado sem atrapalhar a classe. 
O "jogo de cintura" deve se transformar em hábito ás entidades educativas brasileiras. A educação de um superdotado, assim como de uma criança normal, deve acontecer tanto em casa quanto na escola e em qualquer outra instituição de convívio social que venha a criança participar. O que lidamos, na construção e educação das crianças, é com o futuro do país, com o futuro do mundo. Pois digo aos pais e as escolas (professores, coordenadores, etc), que pensem: "Será que eu gostaria, sem conhecer minha criança, de tê-la, com os comportamentos atuais, como presidente ou guia exemplar de minha nação futuramente?"

Romes

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Projeto de Superdotação: definição, fases, manifestações fervorosas (psicopatia) e estudo de caso


Estes, normalmente, são alto-habilidosos, ou tendenciosos a ter altas habilidades, mas algum fator exterior (ou não) determina que o seu conhecimento volte extremamente a si próprio, o que em geral gera um desumanização, desrespeito a vida, falta de valor ao ser humano e visão contorcida de diversas situações. Seus projetos serão, normalmente, muito bem planejados e articulados de forma a melhor atender os seus interesses.

Normalmente, as pessoas em muito se satisfazem com relatos de vilões históricos que tinham altas habilidades, ou que ao menos, eram chamados de "muito inteligentes". Pois bem, no último artigo publicado neste mesmo blog, citei algo que prefiro nomear de projeto de superdotação. Este projeto estará intimamente ligado com a fase introdutória deste escrito e é o nosso objeto de estudos neste post.
O projeto de superdotação começa, normalmente a se formar, a partir do momento em que a criança ou o indivíduo em questão toma conhecimentos das altas habilidades que possui. Isto sempre ocorre a partir de um parecer social e está, na grande maioria das vezes, relacionado a elogios consecutivos a criança, o que a deixa em uma situação previlegiada entre os demais.

PRIMEIRA FASE

Em fase de infância, a menos que movida por outros estímulos, a criança tende a ter um projeto de superdotação relacionado a se mostrar, ou seja, a deixar que os outros vejam o que pode fazer, nada mais. Ela quer, quase sempre, ser reconhecida. Mesmo as mais tímidas desejam isso. Este é um querer natural porque normalmente, as crianças tendem a imitar comportamentos ou serem centros de atenção e buscam isso. Quase sempre, o pequeno sempre procurará se destacar, ser melhor do que o outro, de alguma maneira, mas ele quer isso. É quase que um instinto natural e parece, em muitas vezes, estar no inconsciente humano. Se a criança receber fortes estímulos familiares que a estimule a ser melhor ou fazer algo melhor, ela antecipará a segunda fase do projeto de superdotação. 

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Um exemplo muito característico dos estimulos familiares nos projetos de superdotação está, por exemplo, numa família fanática por futebol que incentiva a criança a torcer e a saber tudo sobre o esporte. A partir do momento em que a criança ver que aquele conhecimento a coloca, de algum modo sobre os outros, terá tendências naturais a expô-lo ou resguardá-lo para um momento favorável.

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 SEGUNDA FASE

Conforme a criança cresce, o conhecimento incial que possui que, anteriormente, era movido apenas pela vontade de se mostrar e receber elogios começa a tomar contorno pelos pareceres externos (família, escola, religião, etc). Agora, o indivíduo é capaz de decidir o que fará com as altas habilidades, como irá usá-la e para que fim ele aprenderá ainda mais sobre aquilo, porque tem o parecer social de que é diferenciado e isso o gera um sentimento de glorificação capaz de dá-lo esta oportunidade de escolha.
Uma criança com altas habilidades que nasce numa família socialmente equilibrada, religiosa e ativista em projetos sociais, terá tendência em usar o que sabe em favor da comunidade e não se exibir pelos conhecimentos que tem. Ao contrário, uma que nasce numa família egoísta, tenderá a querer se mostrar, e logo a faltará a humildade.

Normalmente, os projetos de superdotação não são muito observados porque não chamam muita atenção. Na maioria das vezes, a criança simplesmente terá como projeto o gosto pelo que faz e nada além. Sem exibições, se considerará normal, comum  e, em muitos casos, não terá outro projeto a não ser a própria diversão, mesmo que em segunda fase de projeto.
Isso não acontecerá quando o indivíduo receber um estímulo forte, sendo ele com tendência ou não a transtornos psiquiátricos, que o fará ter como projeto de superdotação outras coisas. É o caso dos psicopatas.
Falei sobre Hitler no começo e volto a falar dele. O nazista em questão designou toda sua habilidade política para fazer algo que considerava correto (conhecimento muito voltado para si). Isso é fruto de ideias socialmente questionáveis, porém, o que estamos estudando são os projetos de superdotação que, neste caso, foi além do que simplesmente satisfazê-lo, tendo em vista que sua satisfação consistia em uma sociedade totalmente ariana. Tornar a sociedade "pura". Eis o projeto de superdotação de Hitler.
Certa vez, ouvi relatos de um menino que, considerado pela família muito inteligente e esperto para Informática, cometeu um ato de arrepiar para qualquer ser humano. O garoto, em sua casa, num quarto, brincando em seu computador, chamou a secretária familiar para que o auxiliasse em algo. Assim que adentrou a sala, o menino, que a esperava na porta, tratou de trancá-la, deixando assim a pobre secretária presa num cubículo.
O pequeno foi então até a cozinha, tomou uma faca, destinou seus passos ao terreiro, onde se deparou com uma cachorra portanto cerca de sete filhotinhos recém nascidos. Eram os animais domésticos da família. Sem muito pensar, o garoto se aproximou dos seres e neles disparou diversas facadas, matando instantaneamente todos os oito cães da família. 
Sem entender o que fazia, voltou a cozinha, apoiou a faca marcada por sangue no fogão e foi brincar como se nada tivesse acontecido. A empregada ficou trancada na sala até o fim da tarde e, assustada, não tardou em pedir demissão do emprego.
Vemos que aí a criança tinha total entendimento que nada estava fazendo de errado e que simplesmente fez algo que o satisfazesse (os psicopatas tendem a minimizar os seus feitos que causem repercussão, de forma que melhor lhes atenda). Notamos também que, além de só pensar em si a todo momento, a criança planejou tudo muito bem, de forma que ninguém pudesse impedí-lo de cumprir o seu desígno. 

Quero deixar os seguintes links para análise dos interessados. Os conteúdos são referentes a Psicopatia e outros transtornos de conduta na Infância.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Nota de esclarecimento - Formação de superdotação e educação escolar

Gostaria de fazer meros esclarecimentos quanto aos conteúdos deste blog.

Inicialmente, a superdotação pode sim, e isso ocorre muitas vezes, ser formada sem interferência do meio. Ou seja, mesmo que o pai não apoie a criança, que a mãe não ligue e que não exista condições propícias para o crescimento do superdotado, as altas habilidades podem sim vir a tona. 
Observamos hoje isso com muita frequência, o que é muito bom. As regiões norte e nordeste tem cada vez mais registrado casos de superdotação incomuns a psicologia comum. São relatos de crianças pobres, sem condições familiares quaisquer e que desenvolvem superdotação de modo avassalador.
Não costumo citar muitos casos como este porque eles demandam investigações grandes no psicológico da criança em questão, sendo difícil fundamentar aspectos comuns no desenvolvimento da superdotação destas crianças. Observem que é difícil traçar um paralelo sem pesquisas aprofundadas sobre casos como os aqui sintetizados. Pela falta de aprofundamento em cada caso, prefiro prezar a ciência e não divulgar ideologias pessoais minhas, comprometendo o caráter deste blog.
Outra coisa importante: este blog não é uma página de superdotação voltada só para a educação escolar, por isso muitos podem notar dissonâncias no que diz respeito aos assuntos abordados entre este blog e outros sites, como o do Conselho Brasileiro para Superdotação. Entendo eu que o superdotado não tem no seu cotidiano apenas escola e trabalhos pedagógicos, por isso, prefiro falar de diversas facetas da superdotação do que fixar apenas em um, até porque, aliás, outros sites fazem ótimos trabalhos no esclarecimento da superdotação perante a educação escolar.

Romes

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Fase inicial do desenvolvimento da superdotação de formação

A manifestação da superdotação está longe de ser algo meramente marcado, porém, quando se fala dos superdotados de formação, observa-se algumas características emocionais que, normalmente, antecedem a formação do indivíduo superdotado. Vale lembrar que estas características não são fatores formadores da superdotação, visto que disso já tratei em outro post. 
Normalmente, a superdotação de formação começa a aparecer a partir dos 11, 12 anos, no qual a criança já é mais capacitada a manifestar uma personalidade própria e, além disso, começa a descobrir o mundo e formar seus interesses. Aí está uma das principais características, marcada pela curiosidade (sentimento primário). Isso normalmente ocorre perante a certa excitação (o estímulo motivador), que se dá ou por um filme, seriado ou algo que inspire a criança a estudar o assunto. Esta é uma das fases mais promissoras da superdotação, porém, são raros os casos de "interesses" que realmente resultem em altas habilidades. Nesta etapa, a criança ou adolescente costuma ficar inquieto, interessado e se envolver muito com o assunto interessado. A internet é uma grande parceira para que o processo se transcorra normalmente.
Voltando aos estímulos motivadores, notamos que o instinto de busca da curiosidade em praticamente todos os casos desperta algo no indivíduo e realmente este sentimento secundário que será o projeto de superdotação. O projeto de superdotação é, simples e basicamente, o fim esperado pelo indivíduo perante os conhecimentos adquiridos. Por exemplo, um superdotado artístico normalmente terá como projeto de superdotação se tornar um grande artista, e, em geral, os projetos de superdotação sempre estão relacionados com o futuro. O sentimento secundário (lembrando que o primeiro é a curiosidade) gerado pela observação de um estímulo motivante resulta no projeto de superdotação pelo fato de ele ser normalmente a verdadeira e real motivação do superdotado. Ok, tudo bem que a curiosidade é um fator importantíssimo, mas o sentimento motivante verdadeiro é realmente o que gera o projeto de superdotação. Todos os superdotados aprendem ou desenvolvem algo esperando outra coisa em troca daquilo, mesmo que inconscientemente.
Após alguns dias, a fase de curiosidade ou ficará apenas nisso ou se transformará numa possível segunda etapa da superdotação. Os interesses se transformam em pesquisa e aí sim, o indivíduo terá uma necessidade de pesquisa moderadamente capaz de satisfazer o seu intelecto.
Apesar de tudo, apenas a partir de a criança ter conseguido altas e não contextualizadas habilidades em algo, ela poderá ser considerada superdotada.

Romes

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Categorias de formação do superdotado

Normalmente, a superdotação é sempre cercada de muito misticismo por alguns leigos. Em via disso, decidi escrever mais sobre a formação do superdotado, onde falarei neste artigo sobre as duas classes que, por enquanto, considero relevantes quando se fala de superdotação.
Inicialmente, existem os superdotados naturais. Estes são muito raros, pouco os vemos, mas seu número parece ter aumentado nos dias atuais. São aqueles que parecem nascer com o conhecimento referente a superdotação. São aquelas crianças que, aos dois anos, conseguem fazer coisas mirabolantes, deixando todos encantados e alguns até perplexos. Para exemplificar, analisemos o caso da menina Aelita Andre, cuja foto estampa o logo deste blog.
Aelita, hoje, com 5 anos.
Aelita é australiana e atualmente considerada a maior revelação das artes visuais dos últimos tempos. Certo dia, quando menos de um ano carregava, o seu pai, ao se dispor a pintar amistosamente, viu que a criança demonstrava grande interesse pela pintura e, inclusive, tomou certa quantidade de tinta e ainda com pouquíssima idade, realizou sua primeira obra de arte. O que é estranho é que o que foi pintado corresponde ao estilo do impressionismo britânico, escola que desapareceu após a morte de seu último artista, em 1956, num acidente de carro. Para aqueles que achavam que a pintura não passava de uma "arte" (no sentido de bagunça), a menina, poucos meses depois, viria a pintar outros quadros, sendo estes, altamente elogiados pela crítica local. O valor de seus quadros ultrapassou os 10 mil dólares.
Notamos claramente e de maneira inical, que se trata perfeitamente de um talento que parece estar irraizado na criança. Explicações para isso? A ciência moderna propõe teorias, mas nada ainda que esteja realmente concreto sobre o caso, que, a exemplo de muitos outros de superdotação natural, levantam inúmeras hipóteses de diferentes naturezas.
De modo incial, dizemos que o superdotado natural é aquele que manifesta sua arte ainda muito precocemente, com idade média igual ou inferior aos 3 anos. Mas aviso primariamente que devemos analisar cada caso para não levantar falsas suposições a cerca de qualquer classificação de superdotação.
O que é bom dizer também é que os superdotados naturais estão muito relacionados com o fenômeno que chamamos de genialidade. Isso porque o fenômeno se apresenta de forma tão estranha que levanta hipóteses sobre o quão alta é a habilidade daquela criança.
Outro grupo interessante para analisarmos é o dos superdotados de formação, ou formados. Estes são os que, a partir de tal idade, mostra altas habilidades muitas vezes como consequência da predileção e estudo de algo.
Se a superdotação se manifestar em contexto escolar, muitas vezes, temos um superdotado de formação, porque é evidente que normalmente a criança já está numa idade mais avançada. Aquela criança que é excelente em matemática, por exemplo, é um superdotado intelectual formado, tendo em vista que a habilidade se manifestou a partir de um conhecimento prévio sobre algo ou a partir de estímulos exteriores, o que não acontece muito no grupo de superdotados naturais. 
Para critérios de observação, como já vimos, o apresso por algo não é característica só do superdotado natural, pois a simpatia é comum na grande maioria dos indivíduos que detém a sobredotação.
Desta forma, se as altas habilidades parecem nascer juntas ao indivíduo, manifestando muito precocemente, constata-se um superdotado natural, e se, ao contrário, demoram alguns anos e, podendo demandar certos estímulos para o desenvolvimento, temos um superdotado de formação ou formado.  

*Obs.: Para aqueles que se interessarem em saber mais sobre Aelita, a família da menina mantém um site na internet, www.aelitaandreart.com (em inglês), e o portal de vídeos youtube traz diversas peças da menina.

Romes Sousa

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Fatores de formação da superdotação

Existem fatores essenciais que contribuem para a formação dos superdotados, assim como para qualquer outro grupo social que se pretenda referir. Analisemos abaixo os fatores mais importantes.

- Fator genético: Sabendo que a superdotação está longe de ser um fenômeno puramente psíquico, notemos que a ciência atual já provou que a personalidade também não é composta tão somente por fatores psicológicos, mas também, pela herança genética. O que ocorre não é tão precisamente que o superdotado deverá "puxar" a superdotação dos pais, mas, terá maior disposição de base neurobiológica em desenvolver altas capacidades. Isso se verifica também quando dizemos que tal criança tem mais predisposição genética para aprender matemática do que português. O que ocorre é que no superdotado, os fatores genéticos estarão normalmente muito mais aguçados no que se refere a propagação dos estímulos nervosos, tese consideravelmente aceita para explicar a superdotação. Logo, volto a confirmar, a genética pode determinar predisposição, mas não dará certeza de superdotação. Muito relacionado aos superdotados naturais (grupo raro).

- Fator social: Como já disse diversas vezes em posts anteriores, os fatores sociais são decisivos para a criação de um alicerce propício para a formação do superdotado. Nas crianças com altas habilidades, o que se nota com frequência é a presença de certos sintomas de psicopatologias relacionadas a depressão, stress e ansiedade. Assim sendo, a sociedade serve como fator impulsionador, na maioria das vezes, para a formação das altas habilidades. Neste grupo de fatores, enquadro também os papéis de pai e escola na formação da criança superdotada.

- Fatores individuais: Cada ser é próprio, logo, responde a estímulos de forma diferente. O que vai então servir para a formação de um superdotado é, quase que primordialmente, os fatores individuais. De nada adianta ter fatores genéticos e sociais favoráveis se não se tem vontade em aprender e crescer mais. Quando falo dos fatores individuais, estou falando da vontade e do esforço pessoal da criança ou do jovem em aprender mais e romper os limites da ignorância muitas vezes impostos pela sociedade. 

É importante que se averigúe também que os três fatores são alicerces dispensáveis para uma formação qualitária do superdotado. Não excluamos também as possibilidades da criança não contar com nenhum destes fatores e desenvolver altas habilidades. A ciência em geral e, sobretudo, a Psicologia da Superdotação está recheada de exceções que sempre nos convencem de que por mais que estudemos, o ápice do conhecimento ainda está distante de nossa vista.

Romes Sousa

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Diferença entre talento, superdotação e "genialidade"

Acompanhava um interessante vídeo sobre superdotação na internet, que ainda não havia assistido quando me deparei com a frase: "Talentos, todo mundo tem, superdotação, não, só alguns." Como podemos entender esta frase, que, por sinal, está correta?
O talento é uma habilidade para alguma área. Todos tem algum talento. Entrando no campo da Psicologia Infantil, notamos: existem crianças que gostam mais de desenhar e desenham melhor que escrevem. O desenho é um talento para elas. Normalmente, o talento é muito relacionado ao gostar, de modo parecido com a superdotação. A própria didática social de colocar como bom aquele que é melhor que os outros gera, inconscientemente, o gosto da criança pela área em que é boa.
Se formos olhar em algum dicionário, encontraremos a seguinte definição para talento: "capacidade, distinta aptidão, habilidade natural...". Por ser um potencial que se manifesta muito menos fervorosamente que a superdotação, o talento tende a não assustar tanto, porque parece normal naquele contexto. Exemplo: uma criança que gosta de jogar futebol e joga bem.
Agora quando falamos em superdotação, devemos ter exclarecida a definição: caracterização de uma habilidade maior e incontextualizada de uma criança (no contexto da Psicologia Infantil) para alguma área. Ok. Destaquemos alguns pontos. O primeiro é: "caracterização de uma habilidade maior", ou seja, o potencial da superdotação é muito maior do que o do simples talento, que é apenas uma habilidade. O segundo é: "incontextualizada", ou seja, fora do contexto real daquela criança, estranho, anormal, um exemplo é de uma criança que, aos quatro anos, parece dominar grandes instrumentos musicais e tocá-los com perfeição. Isto é anormal para o contexto de convívio daquela criança, em comparação com o restante da sociedade. Terceiro "...para alguma área". Observe que tanto talento quanto superdotação, quanto até mesmo os casos que prefiro chamar de "genialidade", o superdotado, o talentoso ou seja lá qual nome você queira designar não é obrigatoriamente bom em tudo. Claro, ele terá uma área que o fará destaque, mas nem por isso tem que ser bom em todas as áreas, o que é, aliás, raríssimo. A noção acima apresentada, de que o superdotado devia saber tudo, era compartilhada em tempos antigos.
Quando eu uso a expressão, que muitos pesquisadores não gostam, genialidade, eu quero designar um conjunto "acima" dos superdotados comuns, ou seja, pessoas com habilidades muito grandes que se diferenciam dos demais superdotados. Exemplo: a criança, com 3 anos, ter conhecimentos avançados de Medicina. Esta é superdotada? Claro, porém, uso a expressão genialidade para abranger esta classe mais rara e incomum do fenômeno das altas habilidades. Ao falar de genialidade, me refiro, a fim de diferenciá-la da superdotação, ao seguinte fato: na genialidade, o indivíduo tem acesso a informações que não só estão incontextualizadas a sua realidade, mas que estão muito além do que a estrutura mental e física da criança poderia absorver. É como no caso apresentado. Uma criança de três anos não tem jamais o cérebro e a mentalidade preparada para aprender Medicina avançada. 
Reflito também que não quero causar "confusões" com os companheiros da Psicologia por falar de genialidade. Digo que o termo é simples e meramente uma questão de nomenclatura, nada mais. 
Voltando ao tema do artigo, em síntese, o talento é uma habilidade simples de alguém para alguma área, normalmente ligada a aptidão natural, sem causar estranheza nem qualquer outro empecílio. A superdotação é a caracterização de uma habilidade maior e incontextualizada do indivíduo para alguma área, sendo neurologicamente associada a alta velocidade de propagação dos impulsos nervosos (teoria mais aceita atualmente). A genialidade é um termo de uso próprio, que simplesmente designa um grau maior de superdotação, no qual o indivíduo normal não tem de forma alguma características físicas  e psicológicas de assimiliar aquele conhecimento.

Deixo a seguir vídeos interessantes sobre superdotação para caso alguém queira assistir:

 
Série Superdotados - TV Tribuna (01)

 
 Série Superdotados - TV Tribuna (02)

 
Série Superdotados - TV Tribuna (03)

Romes Sousa

Podemos formar superdotados?

Uma pergunta que não cala quando se fala em superdotação é: é possível formar superdotados? Inicialmente, porém, preciso voltar a posts anteriores onde defino o fenômeno de superdotação como sendo a caracterização de uma habilidade maior e incontextualizada de uma criança (no contexto do presente artigo) para alguma área.
Não vejo com excelentes olhos a ideia de que o pai possa criar por conta própria, um superdotado, pois, como Nietzhce disse, cada criança é de um jeito, logo, responderá a estimulos de formas diferentes e é por isso que a forma de se educar não deve ser igual para todos, mas sim equivaler a forma de aprendizado de cada criança.
Porém, embora o pai não possa garantir que a criança será diferenciada, poderá encaminhá-la. É aí que entra a educação. Em verdade, a existência do fenômeno de superdotação se dá, entre outros motivos, pelo fato de a sociedade atual ter um desparâmetro no que diz respeito a educação, ou seja, uma criança é devidamente educada e a outra é má educada, então a primeira terá maiores chances de ser futuramente considerada superdotada. Voltando a questão do encaminhamento do processo de superdotação. O que podemos fazer?
Uma dica importante está no incentivo: incentive seu filho a se interessar por algo. Ele precisará gostar de alguma coisa nem que esta seja futebol ou funk (com respeito as categorias). Desde a infância, ampare seus filhos a gostar de alguma coisa, seja ela qual for. Incentive suas pesquisas, leituras, compre livros, dê apoio. Aliás, é difícil ver com bons olhos uma sociedade na qual um adulto acha coerente pagar R$ 100,00 em um salão de beleza e não tem coragem de comprar um livro de R$ 50,00 para o filho ler.
Outro artefato que podes usar é não dar maus exemplos ao seu tutelado. O mundo já está cheio de dejetos inteligentes, não seja mais um. Ensine seu filho a se interessar pelo mundo e a dominar seus próprios sentimentos.
Tente não dizer a típica frase: "Você é muito pequeno para isso!". Entenda: se seu filho se interessa por algo, ele não é tão incapaz assim de pensar. Dê instruções e alimente a curiosidade do seu guardado, acompanhando um sistema acessível a idade e a condição da criança. Invista no conhecimento. 
Uma situação que preciso deixar clara é: muitos pais não tem condições de comprar dois, três livros por mês para seus filhos. Isso não é problema. Eduque a criança desde cedo a forma correta de utilizar o computador. A internet tem inúmeros ebooks e textos bons e gratuitos a disposição de todos, basta procurar.
Algo que já disse neste e em outros artigos e não canso de repetir para os pais e educadores é: quando se fala de superdotação, existe outra palavra que precisa andar ao lado: apoio, incentivo, força. Os pais, principalmente, são as principais convivências da criança, assim sendo, quanto mais você apoiá-lo para bons caminhos maior será a dificuldade de ele se envolver com coisas incorretas.
Enfim: o incentivo do pai constituirá, para quem quer "formar um superdotado", a primeira coisa a fazer. Os exemplos (leitura de livros, assistir um educativo programa na TV, ler boas revistas) alicerçarão o incentivo. Quando seu filho começar a gostar de algo, apoie de todas as formas que puder mas esteja ciente: ele é versátil, pode mudar de opinião. Se você for um pai psicologicamente participativo na vida de seu filho desde o começo, terás grandes chances de acompanhar estas mudanças.
O interesse da criança para a pesquisa e leitura é a "certidão de nascimento" do superdotado, mas, não esqueçamos que tudo é um processo, por isso é importante o acompanhamento dos filiais. Não é regra que alguém que se interessava por música deverá se tornar excelente em música. Avaliemos as disposições. Mas o interesse é a porta de entrada para o estudo e, se tudo der certo, para a futura prática daquela atividade.
Fora dos "milagres" que a realidade tanto vem nos oferecendo, a boa educação é a única forma de encaminhar um superdotado. Porém, não pense que estando seu filho com oito, nove anos que agora o senhor (a) poderá corrigir todos os maus exemplos do passado, porque o que já se foi não se apagará. Porém, não desista, nunca é tarde para recomeçar, mas saiba que com a criança maior tudo será mais difícl. É importante que a ética e a intelectualidade venham de berço, não importando para isso classe social ou qualquer outro fator. Se cada pai educasse positivamente seus filhos, teríamos um futuro muito melhor, pena que são poucos os que fazem isso!

Romes Sousa

Convite


Romes Sousa

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Afinal, porque crianças "ótimas" tornam-se adolescentes tenebrosos?

Um fato não estranho para aqueles que lidam de perto com crianças e adolescentes está na seguinte queixa de muitos pais: "Meu filho era ótimo quando criança, mas depois que cresceu, as notas caíram, ele ficou rebelde, não quer mais ir na igreja, etc." Uma ressalva que devemos fazer quanto a tais falas: o atual jovem não era uma ótima criança, apenas não havia despontado todas as suas índoles. Isso é facilmente verificado se nos basearmos em conhecidos princípios da psicologia: ninguém é igual a ninguém, ou seja, você poderá educar o seu filho de uma forma, mas atente-se a forma com que ele absorve o conteúdo que para ele é passado. Todos têm uma forma de aprender e ver o mundo, o desenvolvimento de futuros males nem sempre é culpa dos pais ou da família, mas certamente será apenas uma força gerada pela personalidade do indivíduo.
Analisemos, no entanto, as situações circundantes observando o papel do meio nas transformações que discutimos. O que formará um mal jovem será não apenas um, mas uma grande diversidade de "desastres psicossociais", ou seja: muitos fatores contribuirão para que aquela antiga boa criança se torne um adolescente ruim, entre os quais:

- Influência de amigos: Muitas crianças chegam a fase de adolescente com uma certa carência de afetividade ou amizade verdadeira. Um dos fatores que motiva isso é claramente a mudança psicológica que começa a acontecer na cabeça do jovem. A partir do momento em que se vê crescido e "dono de si mesmo", tenderá a querer aproveitar tudo aquilo que a infância não o trazia, ou o dava, mas de outra maneira. O que ocorre é que em busca de uma identidade nova muitos jovens se envolvem com grupinhos de amizade que tem como objetivo único a farra e a diversão, combustíveis para a "felicidade juvenil", que se desperdiça em uma sociedade que não almeja futuro, apenas presente.

- Família: O contexto de convivência mais próximo do jovem, no caso atual, a família, tende a "deixar" relativamente os antigos cuidados que tinha com o filho, porque alguns, em especial os pais (sexo masculino) tendem a ver o filho como "homenzinho", abrindo as "asas" do filho para o tão falado "novo mundo" que a juventude traz. Falta sobretudo, quando o assunto é família, cobrança. A educação deve começar a infância. Uma criança devidamente educada na fase inicial da vida dificilmente se tornará um jovem infeliz.

- O anarquismo: É de praxe que a criança se sente a "toda poderosa" quando passa para a fase de adolescente, ao menos, este é o sentimento comum no início do período em questão. Daí vem um mundo de possibilidades que inclui, para alguns, a contrariedade com o sistema, a aversão a princípios e dogmas, o conhecimento e desbravamento do novo, etc. Logo a família e as amizades aí desempenharão fator providencial. Digo porém que com relação a primeira não a cabe impedir o filho de conhecer as novidades do mundo, o que devem ter em mente os pais é que o seu papel é o de educar, e isso implica em orientar e conversar. Já as amizades são veículos que impulsionam toda a "revolução" daquele novo jovem. Muitas vezes nós nos deparamos com verdadeiros sanguessugas. E o que são sanguessugas? Pessoas que não agem por conta própria, apenas vão atrás das ideias alheias, muitas vezes nem importando com suas lógicas ou efeitos. A rebeldia sanguessuga parece muito mais acessível a jovens que não se acostumaram a pensar e sim a copiar pensamentos. É um processo que sucede desde a infância. Está aí um dos motivos pelo qual quando uma moda inicia, ela tende a consumir o mundo jovem.

E o que fazer para lidar com tudo isso?

Inicialmente, os pais devem se colocar no lugar que os cabe, ou seja, serem realmente pais. É seu dever orientar, educar e modelar a educação do filho desde cedo. Não queira que depois de grande o mal filho se torne bom, porque isso raramente acontece. A escola deve contribuir, na educação infantil para a formação de um indivíduo que saiba lidar com o meio que o cerca, mas, sem a menor dúvida, a maior responsabilidade para tanto é a dos pais.

Sugestões aos pais:

01-  Comece, desde cedo, a levar o seu filho em lugares culturalmente atrativos, como teatros, cinemas e bibliotecas;
02- Incentive a prática religiosa. Ela dará a criança um certo grau de responsabilidade e comprometimento com o meio que o circunda.
03- Leia próximo e/ou com o seu filho. A leitura será uma grande ferramenta para ele futuramente. Será ela que evitará que o jovem se torne um sangessuga.
04- Incentive as pesquisas e leituras sobre assuntos de seu interesse. Mostre para a criança desde cedo que você apoia suas vontades (claro, sádias) e que gosta que ela pesquise e leia sobre o que a interessa.
05- Organize horários. Isso será bom para tornar o seu filho organizado. Faça isso mesmo depois de grande.
06- Se coloque e exerça o seu papel de pai (ou mãe). Você é o responsável pela educação de seu filho. Saiba disso.
07- Saiba o que o seu filho faz e procure orientá-lo, mesmo que de forma indireta sobre os erros que pode cometer.
08- Modere os investimentos para seu filho. Você não é obrigado a dar tudo o que sua criança pedir, apenas o que por ventura achar necessário.
09- Ousa o que os outros têm a dizer sobre sua criança. Você não é o dono da verdade. Avalie o que os professores e demais educadores dizem e tente corrigir os defeitos.
10- Converse! Mantenha um diálogo bom e tranquilo com o seu filho. Fale e ousa.

Romes Sousa

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Advento das novas crianças: características primárias

Recentemente me coloquei a comparar alguns fatos que muito temos em nosso dia-a-dia: muitos idosos insistem em dizer com toda certeza que as crianças atuais são mais sábias, espertas e dificilmente enganadas. Para justificar tal afirmativa, utilizam o dogma:
"Algum tempo atrás as crianças levavam dias para abrir os olhos." Só daí já dá para notar claramente a posição dos mais antigos relativos a esta nova geração. Parecem ser crianças que vieram com um potencial gigantesco para trabalhar com algumas áreas se ligando explendorosamente a áreas espiritualistas. 
Existe na atualidade uma doutrina chamada Nova Era que prevê justamente estas crianças. No contexto da Doutrina Espírita, é afimado que tais crianças vieram para alavancar o estágio evolutivo do Planeta Terra. Esta visão também é compartilhada por outras correntes filosófico-espiritualistas, como a Seicho-No-Ie e a Umbanda.
Independente de qualquer preceito teórico, o que fica claro é que as crianças atuais parecem vir com uma capacidade crítica muito grande perante a diversos assuntos. Crítica esta, que, é evidente, pode se dissipar em injúrias se não for bem conduzida. 
Além da crítica, são crianças mais "psicólogas" visto que parecem captar as minúcias de um determinado fato. São capazes de ler nas entrelinhas e logo propor uma interpretação lógica para algum fato, interpretação esta até muitas vezes surpreendente.
São crianças, que, devido a crítica severa que impõem sobre tudo e todos, podem ser tachadas de metidas ou chatas por colegas de escola. O fato se dá pela pesada exigência sobre algum assunto. Exemplo: a criança faz aulas de música, logo ela quer que os amigos tenham o mesmo potencial artístico que aprendeu em suas aulas. 
São crianças que facilmente podem entrar em depressão pois se deixam levar pela auto-crítica de forma massacrante. Elas requerem sempre o melhor de si e dos outros e isso pode, em muitas ocasiões, não vir.
De malefícios e benefícios, prefiro ficar com a consciência tranquila de que bem criadas e bem educadas nos caminhos corretos da vida, esta nova geração venha sem via de dúvidas suprir as necessidades a tanto tempo almejadas pela sociedade. Cabe entao aos mais próximos terem a ciência de como lidar com estas crianças que pairam sobre a Terra como nunca se viu.

Romes Sousa
Referências: Observações e intuições próprias e exteriores.   

sábado, 28 de julho de 2012

E como fica o psicólogo infantil num mundo tão globalizado?

O advendo do avanço tecnológico está aí. Nada está mais como era antes, tudo vem mudando. No passado, um computador demorava um bom tempo para conseguir processar dados, nesta época, quem tinha internet de 10 Giga era rico e se orgulhava disso. Algum tempo atrás existiam TV´s que tinham que literalmente esquentar para ligar.
Pois é, tudo isso se modificou. Hoje acessa-se uma rede social e no mesmo instante se baixa um filme e ouve uma música. Hoje temos computadores de mão capazes de fazer o mesmo do que os micros comuns fazem. Como evoluímos!
Natural é que as relações também evoluíssem, assim sendo, o papel de mãe e pai ficou modificado pela era da tecnologia. Os pais estão cada vez mais longe das crianças, que encontram um grande amigo capaz de armazenar outros grandes amigos. A internet com suas redes sociais. Normalmente uma criança de seis, sete anos vivencia a seguinte rotina: logo de manhã e acalentada com alguns rápidos beijos pela mãe, que logo sai para o trabalho. Se estudar a tarde, passará grande parte a manhã conectada a internet. Logo depois, almoça, sem nenhum familiar e um kombista passa para levá-la a escola. Quando chega, sem nada para fazer, volta a utilizar o computador. Então vai dormir, tendo visto os pais apenas no começo da manhã.
Sabemos que educação é convivío. É pelo convívio com a familia que se aprende métodos sociais e normas impostas pelo costume que nos cerca, então, como fica a educação e transmissão de valores sendo que a única relação entre pai e filho ocorre num único beijo (isso se houver)?
Aí sabe o que acontece? Passa-se um tempo e o diretor da escola da criança manda chamar os pais e indica um psicólogo reclamando de comportamentos agressivos e baixo rendimento escolar. Será realmente que este santo psicólogo pode passar todo o afeto necessário a criança, toda a educação, que era papel dos pais, todo o costume social em uma, duas horas de encontro?
Desculpe, mas acho isso difícil. Tomada esta reflexão inicial, voltemos ao tema proposto no título deste post. Sendo o psicólogo o ponto de apoio para uma família que não sabe mais o que fazer com a criança, como lidar com um mundo globalizado como este que estamos?
A criança precisa ser envolvida, deve ver seu universo perfurado pelo profissional de Psicologia. Logo, porém, o que envolve a criança atual são as influencias virtuais que recebe (claro, sem generalizar). Então, o psicólogo, como todo educador tem o papel de se infiltrar nestes meios, buscando meios de comunicação atual afim de melhorar o diálogo, descobrir o mundo por trás daquela criança. Digo se infiltrar pois a internet tem o papel de ser o local de lamentações e demonstração de personalidade. Sem meios de se expressar com a família, é no mundo virtual que a criança tentará saciar suas angústias mais íntimas e isso pode ser claramente percebido nos status que a criança expõe, nos comentários que faz, nas coisas que curte, etc.
A facilidade em fazer este trabalho está, além de outras coisas no fato de ser a criança sincera com todos, de não conseguir esconder verdades por um bom tempo. A comunicação virtual então é aquele psicólogo de todas as horas, programado apenas para ouvir angústias, alegrias, lamentações e conquistas.
Cabe ao profissional infantil desenvolver métodos de se interar com o mundo da criança e estando este voltado aos meios virtuais, cabe ao psicólogo ou quem quer que seja, fazer o real papel de um detetive. Desta maneira, ficará muito mais fácil descobrir o encantador mundo que existe dentro de cada criança, respeitando, claro a individualidade de cada uma. O mundo se atualiza, as crianças se atualizam, o educador também deve se atualizar! Tal é a lei.

Sim, realmente, assim deve ser, mas a base disso tudo está apenas em descobrir que:
Romes Sousa

terça-feira, 24 de julho de 2012

Testes de QI: é possível confiar?

Muitos psicólogos admitem os testes de QI com intenção de provar que tal criança é ou não superdotada. Porém, com olhar profundo perante tal causa notamos facilmente que testes para avaliar inteligência não pasam de meras publicidades anti-científicas.
Publicidades pelo fato de divulgar uma ou outra instituição, site ou seja lá o que for e anti-científica por exemplos que abaixo traremos.
Os testes de QI são, muitas vezes, formados por uma série de perguntas  que visam avaliar a capacidade de raciocínio lógico do indíviduo, subestimando a inteligência a meros conhecimentos lógicos, o que sabemos, pelo grande explendor filosófico que existe dentro da Psicologia, que a inteligência é muito mais do que um pensamento rápido ou um conhecimento matemático.
 Que tal relembrarmos a definição de superdotação?! Superdotação é a capacidade maior da criança para uma área do conhecimento. Lembremos: um superdotado não é um gênio que tem por obrigação tirar notas máximas em todas as disciplinas, um superdotado é uma criança comum que apenas entende mais de um assunto do que de outro.
Desta simples definição já notamos o quão baixa é a cientificidade dos testes de QI que circulam na internet. Tais testes podem sim provar que uma pessoa sabe mais de lógica, tem a capacidade de raciocínio maior, mas, raciocínio não é característica chave de todos os superdotados.
Voltando agora o nosso olhar para a superdotação artística: quantos artistas mirins espetaculares existem? Será que todos estes, se submetidos a banais testes de raciocínio terão grande proveito? Hipocrisia nossa seria responder sim a segunda pergunta.
Einstein, por exemplo, não era bom em algumas coisas, mas excelente em física, matemática e química. Alguém questiona suas altas capacidades? De mesmo modo não podemos rotular superdotados e crianças normais.
Não está em nós dizer "tal criança é superdotado". Quais argumentos apontar para isso? A superdotação é um fenômeno natural, comum nos dias de hoje, marca de uma geração inovadora, pensativa e que rejeita qualquer tipo de dogmas.
Impor um teste banal como é o QI é impor um dogma, impor um método diagnóstico para a superdotação. Isso é, sem dúvidas, uma ideia ultrapassada. Lembro novamente que não há métodos de se determinar um superdotado. A criança com altos potenciais apenas se apresenta superdotado, mostra suas habilidades, mostra o que sabe fazer, claro que tudo em suas devidas considerações.
Então, fiquem atentos: qualquer teste de QI ou o quer que seja que se encontre na internet não tem valor algum. Rejeite-o. A superdotação está dentro de cada criança com altas habilidades, cabe a nós identificar cada caso com observação em cima de observação.

Romes Sousa

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Psicopatogias, superdotação, diagnósticos prévios e problemas futuros: Qual a relação?

Muitos gostam de fazer relações entre genialidade e psicopatologias (popularmente falando, num sentido de loucura). Mas, haveria algum motivo que justificasse tal relação quando o assunto é Psicologia Infantil?
Inicialmente, analisaremos algumas visões sobre genialidade e loucura. Alguns defendem a ideia de que o aparente excesso de informações gera uma possível confusão mental, ocasionando em problemas psiquiátricos. Neste pensamento torna-se comum a frase "Conhecimento em excesso gera loucura". Analisando de uma forma mais científica notamos que não é bem isso que acontece. Outros já preferem dizer que um dos preços do vasto e profundo conhecimento sobre algo é um desgaste nas relações emocionais, um sobrecarrego psicológico podendo provocar distúrbios psíquicos, entre os problemas, a tão demida depressão.
Admitindo a tese acima, notamos que numa grande quantidade de casos de superdotação, o superdotado sofre com problemas emocionais, cognitivos, etc. O Autismo e a Hiperatividade são exemplos de problemas que infelizmente ainda hoje são confundidos para diagnóstico de superdotação. A real incompreensão de habilidades gera este tipo de problema. Aquele problema que tantos argumentam dos autistas de ficarem "no mundo da lua", não se centrarem em nada é algo ruim para o convívio com uma sociedade que prega um contato mais próximo. Porém, não esqueçamos que a condição de uma criança simular mundos mentais é a demonstração de uma criatividade pavorosa.
Outro grupo de dotados de altas habilidades é marcado pela não expressão dos dons. Enquanto os superdotados espetaculosos desejam mostrar a todo custo seus potenciais, existe um conjunto de indivíduos que prefere se retrair do convívio geral, quer que o outro perceba o grande pensador que existe por trás de uma criança retraída. Logo uma família desajustada pode afirmar que o filho é anti-social. Este rótulo previamente exposto é altamente prejudicial para o bom desenvolvimento mental do indivíduo posteriormente. O sobrecarrego de potenciais e a incompreensão dos mais próximos é motivo para o nascimento de síndromes psíquicas que querendo ou não poderão prejudicar o superdotado na fase adulta.
No grupo acima podemos observar que algumas crianças se abrem muito facilmente com qualquer um que lhe passe a mínima confiança possível. Outros já buscam além da confiança algo que o ouvinte carregue. Exemplo: um superdotado intelectual, fechado, que raramente conversa pode buscar no locutor características como: habilidades para algo, boa conversa, etc. Praticamente todos os superdotados tem uma característica muito marcante que é a capacidade extrema de observação e por isso acabam por carregar sentimentos muito enfraquecidos, chateamentos com facilidade, relações que se rompem sem a mínima dificuldade e outros fatos que desencadeias problemas de socialização tão comuns nas clínicas de psicologia infantil atualmente.
E é deste contraste grupal no meio dos superdotados que vem a aparente dificuldade em lidar com crianças que apresentam altas habilidades. É preciso ter a percepção que aquela criança que atrapalha a aula frequentemente, que não consegue se centrar em algo pode ser muitas vezes um talento intelectual ou artístico imenso. É preciso bem analisar cada caso e não cometer preconceitos ou avaliações prévias. Raramente um psicólogo chegará para uma mãe para dizer: seu filho é superdotado. E é por isso que antes de qualquer classificação no que se diz respeito a psique de cada um é muito importante avaliar diversos fatores.
A mágica da Psicologia Infantil está em compreender os dramas de cada criança, encontrar as raízes das perturbações, achar o porquê de um problema. É importante ter um olhar clínico para desbravar a mente humana, um universo próprio de cada ser, constituido de grandes mistérios e questionamentos cuja resolução pouca gente sabe onde encontrar.

Romes Sousa